A conexão vital entre Comércio Exterior e Sustentabilidade

O avanço do comércio mundial trouxe consigo efeitos catastróficos ao meio ambiente, e medidas que aproximem Sustentabilidade e Comércio Exterior se tornam fundamentais no cenário atual.

Os conflitos percebidos entre os esforços para estimular o crescimento do comércio e ao mesmo tempo proteger o meio ambiente levam a discussões de pontos importantes para o futuro de ambos. A liberalização do comércio não é um objetivo em si, mas sim um meio de promover o progresso através de uma melhor eficiência econômica e desenvolvimento.

De acordo com o Relatório Internacional da UNEP (2015) o comércio exterior expandiu substancialmente entre os anos de 1980 e 2010, de modo que, atualmente, as nações estão cada vez mais dependentes das atividades comerciais, o que corresponde a cerca de 40% dos recursos extraídos no planeta, direta e indiretamente. Por outro lado, esse fenômeno resultou na piora da degradação ambiental, reduzindo amplamente o capital natural global. Como resultado, a preocupação com a escassez dos recursos aumentou, e consequentemente, a efetividade em tópicos ambientais passou a ganhar mais espaço como fator determinante da eficiência do comércio.

A expansão do comércio global e a crescente integração de cadeias globais de valor levantam questões sobre como o comércio e o meio ambiente interagem entre si. O último meio século foi marcado por uma expansão sem precedentes do comércio internacional. Desde 1950, o comércio mundial cresceu mais de vinte e sete vezes em termos de volume. A título de comparação, o nível do PIB mundial aumentou oito vezes durante o mesmo período. Como consequência, a participação do comércio internacional no PIB mundial subiu de 5,5% em 1950 para 20,5% em 2016.

Analisando a relação entre Sustentabilidade e Comércio Exterior

Diversos fatores deram origem a essa expansão avassaladora no comércio mundial. Em primeiro lugar, podemos apontar a mudança tecnológica, que reduziu significantemente o custo dos transportes e das comunicações.  Juntamente com a introdução do motor a jato, a conteinerização reduziu o custo do transporte aéreo e marítimo na segunda metade do século XX, ampliando o alcance e o volume de mercadorias comercializadas. Do mesmo modo, a revolução da tecnologia da informação tornou mais fácil negociar e coordenar a produção de peças e componentes de um bem final em diferentes países.

Um segundo fator que se pode apontar é político, com aberturas de comércio e possibilidade de investimento em grande parte dos países, que abriram seus regimes comerciais unilateralmente, bilateralmente, regionalmente e multilateralmente. Sendo assim, essas mudanças nas políticas econômicas não apenas facilitaram o comércio, mas também ampliaram o número de países que participam da expansão do comércio global. Em particular, países emergentes respondem hoje por 36% das exportações mundiais, quase o dobro comparado ao início da década de 1960.

Em contraste, boa parte da corrente ambientalista defende a desaceleração do crescimento comercial, visando limitar a produção a níveis ambientalmente sustentáveis. Desse modo, a principal crítica mira a visão de muitos economistas, os quais priorizavam o lucro e a competitividade, ignorando a questão ambiental, operando suas atividades em áreas cuja legislação é mais branda nesse aspecto.

Entretanto, esse modus operandi na qual o contexto ambiental é encarado como um obstáculo ao comércio, vem sendo modificado nos últimos anos, devido à necessidade por melhorias na qualidade ambiental do planeta, dados numerosos problemas de escassez que tanto limitam a produtividade. Sendo assim, nos dias atuais, proteger o meio ambiente significa ampliar chances de expansão de mercados, reduzindo os custos dos fatores de produção e prevenindo o comércio de barreiras infligidas por economias avançadas.

Efeitos da relação Comércio x Meio Ambiente

As consequências diretas da mudança climática no comércio podem vir de eventos climáticos extremos mais frequentes e do aumento do nível do mar. A infraestrutura das cadeias de suprimento, transporte e distribuição provavelmente se tornará mais vulnerável a interrupções devido à mudança climática. O transporte marítimo, que responde por cerca de 80% do volume de comércio global, pode sofrer consequências negativas, por exemplo, devido ao fechamento mais frequente de portos devido a eventos extremos. Mais importante, espera-se que a mudança climática diminua a produtividade de todos os fatores de produção (ou seja, mão-de-obra, capital e terra), o que acabará resultando em perdas de produção e uma diminuição no volume do comércio global.

Fábricas no horizonte em fim de tarde, emitindo fumaça, operando com baixa sustentabilidade no Comércio Exterior.
A poluição ambiental é um dos mais sérios desafios globais.

Sendo assim, uma das preocupações com o papel do comércio nas emissões de gases de efeito estufa é sua ligação com os serviços de transporte, já que comércio internacional envolve países especializados em exportar bens nos quais eles têm uma vantagem comparativa e importam outros bens de seus parceiros comerciais. Esse processo de intercâmbio internacional exige que as mercadorias sejam transportadas do país de produção para o país de consumo. Portanto, a expansão do comércio internacional tem levado ao aumento do uso de serviços de transporte.

Aplicando sustentabilidade ao Comércio

Por outro lado, o avanço do comércio pode, por sua vez, colaborar com o crescimento econômico, a evolução e o bem-estar social, contribuindo para uma maior capacidade de gerir o meio ambiente de um modo sustentável. Além disso, os mercados abertos podem melhorar o acesso a novas tecnologias que tornam os processos de produção locais mais eficientes, reduzindo o uso de insumos como energia, água e outras substâncias prejudiciais ao meio ambiente.

Da mesma forma, a liberalização do comércio e investimento pode fornecer incentivos às empresas para adotarem padrões ambientais mais rigorosos. À medida que um país se torna mais conectado na economia mundial, seu setor exportador fica mais exposto às exigências ambientais impostas pelos principais importadores. As mudanças necessárias para atender a esses requisitos, por sua vez, fluem ao longo da cadeia de suprimentos, estimulando o uso de tecnologias e processos de produção mais limpos.

Políticas ambientais efetivas e estruturas institucionais são necessárias nos níveis local, regional, nacional e internacional. Além disso, o impacto da liberalização do comércio sobre o bem-estar de um país depende de se as políticas ambientais adequadas estão em vigor no país em questão (por exemplo, precificar corretamente os recursos ambientais esgotáveis). Do mesmo modo, políticas ambientais rígidas são compatíveis com um regime de comércio, na medida em que criam mercados para bens ambientais que podem ser subsequentemente exportados para países que sigam o exemplo em bases ambientais – a chamada vantagem de ser pioneira.  Isto é especialmente verdade para tecnologias complexas, como energias renováveis.

Mas afinal, qual a perspectiva para o futuro?

Com tudo que abordamos, e embora o antagonismo teórico existente, se conscientizar da relação entre comércio exterior e meio ambiente se torna cada dia mais crucial. Em suma, concluímos que o crescimento comercial e a livre iniciativa aliadas a políticas que liguem o comércio internacional com as questões ambientais, assim tornando-se potenciais incentivadores de práticas e tecnologias mais limpas, diminuindo custos na produção, e garantindo a preservação dos bens naturais do planeta.

Afinal, são numerosos os obstáculos que surgem no cenário mundial para que surjam práticas que contribuam com a relação entre sustentabilidade e comércio exterior, sejam eles de caráter social, político ou institucionais. Por outro lado, percebemos que muitos países continuam lidando de forma secundária desse tema, enquanto muitos outros vem adotando posturas cada vez mais empenhadas diante das ameaças iminentes causadas pelo aquecimento global, mudanças climáticas e da devastação de recursos naturais. Sendo assim, aliar Sustentabilidade e Comércio Exterior no desenvolvimento das nações já é de cunho emergencial, e não simplesmente necessária, muito menos secundária.

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